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Uma Franciscana Missionária de Nossa Senhora

18 maio 2016

 

 

 

 

 

 

 

na Argélia há ...
um ano. Já!


Não sabia o que me esperava: foi uma autêntica aventura que iniciava em junho de 2014. Cheguei à Argélia para um primeiro mês de contato com o país, com a sua população e para conhecer D. Paul Desfarges, Bispo de Constantine, através de quem me chegara o “apelo”: "Venha e veja!" – escrevera ele.

Voltei então no dia 6 de janeiro de 2015, com o visto de um ano no bolso. Qual foi a minha primeira impressão? O bom acolhimento da população da Argélia, tanto no aeroporto como nas cidades por onde passava. Depois, descobri também a diocese e a vida das paróquias - "A Igreja na Argélia." Vou tentar dizer alguma coisa a respeito deste ponto. Em Constantine, quando cheguei, fiquei alojada numa casa diocesana, mantida pelas Irmãs de Burkina Faso, uma das muitas Congregações sempre presentes na Argélia, ativas, mas na discrição. Todas as Congregações vivem pobremente, simplesmente, ao serviço do povo no acolhimento, na escuta, na disponibilidade, e também no plano educativo, tanto profissional como espiritual.

Constantine é, ao mesmo tempo, a "Cidade das Pontes” e o "coração da diocese", donde parte a iniciativa das grandes celebrações diocesanas, encontros inter-religiosos e conferências. Como descobri em todas as paróquias, a Igreja da Argélia é ecuménica, aberta ao diálogo, com a preocupação de fazer crescer a fraternidade universal, tal como era concebida pelo irmão Carlos de Foucault.

Encontrei-me com as Franciscanas Missionárias de Maria, presentes na diocese há alguns anos, em Tebessa, cidade situada na fronteira com a Tunísia. Ocupam-se das crianças, dando aulas de Inglês e Francês. Anne é visitadora de prisões. Sunethra é formadora de monitoras de Jardins de Infância. A casa delas fica perto das ruínas de uma igreja que remonta aos primeiros tempos da cristandade.

Em Annaba, a cidade de Santo Agostinho, toda a diocese se reuniu, no Ano da Vida Consagrada, para uma celebração na basílica que fora renovada por ocasião do centenário da sua construção. Mas os restos da antiga basílica recordam-nos que a Fé em Cristo é uma realidade presente no solo e nos corações, desde os primeiros tempos do cristianismo... e que esta Fé está à espera de florescer.


"A seara já está pronta..."

Ao lado da basílica, está o Lar de idosos, mantido pelas Irmãzinhas dos Pobres que acolhem pessoas idosas pobres e sem família bem como os sacerdotes e religiosos aposentados.
Aqui, como noutros lugares na Argélia, os Religiosos retiraram-se dos hospitais, escolas, universidades e puseram-se ao serviço da população. As suas casas transformaram-se, muitas vezes, em bibliotecas e é nelas que acompanham os estudantes, argelinos e subsaarianos. Nas salas de aula são dados cursos de línguas estrangeiras. Encontram-se sempre oficinas para aprender culinária e costura, assim como centros de alfabetização. Isto foi o que eu também encontrei em Argel e noutras paróquias da diocese.

Glycines é o lugar especializado para o estudo de línguas estrangeiras e para encontros de pesquisadores de todos os géneros. Em Ben Smen, os jesuítas fizeram da sua casa tricentenária um centro espiritual, onde as pessoas podem restabelecer-se espiritualmente. Na Casa Diocesana, a Caritas tem muitas atividades caritativas, reconhecidas e incentivadas pelo governo argelino


 

Atualmente, o acolhimento de migrantes (do Mali, da Líbia, do Sudão...) é uma prioridade e todas as dioceses estão empenhadas, assim como nas visitas aos prisioneiros cristãos em todas as prisões do País.

As paróquias são dinâmicas, plurirraciais, frequentemente animadas por estudantes ou migrantes subsaarianos: "Igreja de amanhã e já de hoje." Em janeiro, os missionários recém-chegados são também acolhidos em Argel por um período de informação e formação, de abertura e de encontros. São pessoas de todas as cores, de todas as nacionalidades, de todas as idades. O Senhor chama sempre, sem condições!

Mas é na "Paróquia católica de Batna " que vivo há mais de um ano. Esta é a quinta cidade da Argélia, situada num planalto, a mais de 1000 metros de altitude, no meio dos Montes do Aurès que chegam até mais de 2000m. É também a porta para o Deserto do Saará. Um clima de montanha. Uma população de "chaouis", muito conservadora das tradições, e muçulmana, na grande maioria. Embora eu seja a única habitante da Willaya vestida com hábito religioso, fui muito bem acolhida. As pessoas agradecem a minha presença, perguntam-me se gosto de estar com eles, vêm em meu socorro, se me perco ou se tenho qualquer dificuldade; a maioria fala francês, mas eu já comecei a estudar árabe.

Este ano, somos três - o pároco, Hélène e eu - a manter o funcionamento da Paróquia, porque a irmã enfermeira teve de regressar a França. Há um lugar vazio a chamar por alguém...
Partilhamos entre nós - de forma equitativa - a cozinha, a limpeza da casa, a preparação dos momentos de oração. Temos uma vida comunitária muito especial, mas que respeita os apelos de cada um de nós.
 

 

E contudo, as urgências estão presentes: passagens dos paroquianos, preparação das cerimónias dominicais, encontros de sector... Mas também o acolhimento dos catecúmenos e todas as pessoas que nos procuram, disponibilidade para atender aos pedidos que nos fazem e que compartilhamos, segundo as nossas possibilidades: escuta, aulas de Francês, visitas de amigos por ocasião das festas, visitas às famílias enlutadas, aos idosos e às pessoas com deficiência.

São muitos os apelos que nos chegam dos estudantes que comparam a Bíblia e o Alcorão. Há uns que se interrogam e outros que fazem uma opção. Neste caso, são necessários vários anos de acompanhamento. A partir deste ano, a Constituição da Argélia especifica que todo o cidadão tem a liberdade de praticar a religião da sua escolha.

 

A paróquia é também o lugar onde as mulheres jovens gostam de se reunir para conversar, celebrar qualquer acontecimento feliz: aniversário, sucesso dos exames, "Festa da Mulher" ou, simplesmente, levar ou ouvir notícias, cumprimentar, trazer bolos, dar uma ajuda nas compras, ou numa urgência. É uma vida de família estendida ao bairro, à cidade…É muito bonito.

Devo acrescentar que há "muitas outras realidades" a descobrir.
Basta "vir ver" o Mosteiro de Tibihirine, nas montanhas do Atlas, aberto aos numerosos peregrinos para evocar a vida daqueles que optaram por ser, até ao fim, testemunhas da Fraternidade.
 

Este ano, é toda a Argélia que se reúne na Diocese de Ghardaia, para celebrar o centenário da morte do Irmão Carlos de Foucault, visitar os lugares onde ele viveu, aprofundar e viver melhor a espiritualidade do homem do deserto que se tornou o Irmão universal. Aí, como na exposição itinerante que percorre todas as paróquias, os nossos amigos muçulmanos, muito interessados, juntaram-se a nós, para homenagear o homem que sé hoje o símbolo da unidade possível. Touggourt, Tamanrasset e as outras estações do sul falam, em imagens, daquele que partilhou a vida deles.

E é nesses lugares ricos de história que vai ser criado um Centro especializado em aprendizagem do Árabe dialectal. O Centro estará à disposição dos religiosos e leigos missionários para lhes facilitar a sua integração no país.
Outra etapa é a terra de origem de Santo Agostinho; é uma abertura para as riquezas da antiguidade cristã e da Fraternidade Universal. Esta encontra-se, naturalmente, na rua, no quotidiano, porque é, na verdade, o "carisma" da sua Igreja.

Para completar esta visão geral de um ano na Argélia, agradeço à Irmã Maria Helena o ter permitido a sua realização e de a ter confirmado com a visita da Irmã Marie-Agnès Bossaert, Regional de França, em fevereiro de 2016. Na sua pessoa, foi toda a Congregação que participou na COSMADA, reunião anual dos Superiores Maiores das Congregações religiosas presentes na Argélia.
Este encontro foi uma oportunidade para uma melhor tomada de consciência da vida missionária na Argélia, da sua resposta particular aos apelos prementes do Papa Francisco: voltar à simplicidade do Evangelho, ir à descoberta das periferias, recuperar o sentido da fraternidade universal, numa comunhão de corações que ultrapassa qualquer pertença religiosa.

Patna, 03 de abril de 2016

Ir. Marie Dominique DISSAUX - FMNS


 

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