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SEMENTEIRA…

27 abril 2018

 

 

 

 

 

Não a procures... Esta história não está no Evangelho, mas está cheia de Evangelho... É a história de duas sementes que uma manhã se abandonaram nas mãos do Semeador...

 

 

Ao começar, falei em "história"... Mas... há aqui tão pouco de história, daquela que é escrita pelos homens... Com efeito, sabes porquê?... A história de uma semente é sempre escura... silenciosa... monótona: enterrar... morrer... esperar...

Os seus nomes? Irmã Maria Xavier e Irmã Guilhermina.

Sabemos pouco ou nada da sua vida antes de terem chegado à Argentina.

Perante a voz insistente que lhes dizia: "A quem enviarei?", elas responderam: "Envia-me"...

Deixaram generosamente a sua terra natal, Espanha e Portugal, e chegaram à Argentina em 1912. Iniciaram a sua missão no Hospital de Coronda, tratando e servindo os seus irmãos, como enfermeiras.

Os anos foram passando... Decorria o ano 1919... Uma nuvem negra pairava sobre a população de Totoras. Uma epidemia terrível começou a chicotear a cidade, causando grande ruína. O panorama era terrivelmente devastador. O hospital, que ainda não havia sido inaugurado, teve de ser preparado para cuidar das pessoas que foram atacadas pela peste. Não se podia velar os cadáveres nem levá-los para o cemitério através das ruas da cidade, com medo do contágio.

Já havia tantas vítimas atacadas pela peste, que o único médico no hospital não era suficiente. Foi então que ele próprio bateu às portas do colégio "San José", das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, para pedir a ajuda de duas irmãs.

Quem irá? Pedir ou designar?... Milhares de perguntas e dúvidas cravaram-se no oração da boa irmã superiora, que recorreu à oração... Depois, reuniu as irmãs e explicou o pedido... Fez-se um longo silêncio...

"Se o grão de trigo cai na terra e não morre... fica sozinho, mas se morre..."

Estas palavras de Jesus penetraram profundamente no sulco aberto de dois corações inflamados de amor...
Sim! ... De novo a voz do Senhor: "A quem enviarei?"

Irmã Maria Xavier: 62 anos... Irmã Guilhermina: 39 anos...


Duas vidas e uma resposta: EIS-NOS, SENHOR. ENVIA-NOS! Ofereceram-se voluntariamente, assim como se ofereceram todas as outras irmãs da comunidade.

Despediram-se das suas irmãs, sabendo que, por razões de segurança, não poderiam voltar à comunidade enquanto estivessem no hospital.

É preciso ter muita generosidade para se dar sem nada reservar para si, daquilo que Jesus pede... Porém… como é triste a vida, quando se recusa algo a Quem deu tudo sem medida...
O teu Deus já alguma vez te disse 'não'?

No dia 20 de outubro de 1919, entraram no hospital para cuidar dos seus irmãos, aliviar a sua dor, consolá-los e prepará-los para a partida para a casa de Deus Pai.

O trabalho era árduo, exaustivo dia e noite e sob a constante ameaça de contágio... No entanto, iam e vinham solícitas, cuidando de um, confortando o outro, ajudando a todos a oferecerem os sofrimentos por Aquele que sofreu tanto por nós.

Desde aquele dia não viram nenhuma das suas irmãs; havia um muro a separá-las...
E os dias iam passando; a peste bubônica (transmitida pelos ratos) ceifava cada dia mais vidas... E certa manhã, Maria Xavier sente os sinais evidentes: está doente. Fica alguns dias de cama e, ainda convalescente, põe-se novamente ao trabalho, para servir Jesus nos seus irmãos sofredores e Guilhermina, que também contraiu aquela doença terrível.

Debilitada, febril, Maria Xavier não se poupa; há uma força interior que a ampara, encoraja a visitar os doentes, a passar as noites junto dos moribundos...

A irmã Guilhermina, incapaz de recuperar as forças, exausta pela doença, sente-se abatida, consumida pela febre; o mesmo acontece com a irmã Maria Xavier, poucos dias depois.

Totalmente despojadas, pobres, longe das suas irmãs, ofereceram as suas vidas. Conhecendo o estado das suas irmãs, a superiora insiste várias vezes em deixarem-na vê-las, mesmo correndo o risco de contrair a doença; finalmente, depois de muitas recusas, foi-lhe concedida a licença.

Que encontro! Houve poucas palavras... É que, nos momentos importantes da vida, a linguagem mais eloquente é a do silêncio. E houve um encontro, que foi a despedida...
- "As nossas irmãs que não se preocupem connosco... Nós vamos para a VIDA... Este mal terminará dentro de pouco tempo... Até breve... Até ao céu... Agora, mais do que nunca, somos felizes"...

Passaram-se alguns dias... O sol quente do verão que ia chegar já amadurecera o trigo e a colheita aproximava-se. Espigas cheias de promessas, anunciavam a farinha branca para o Pão que satisfaz a fome dos homens... Espigas que mais tarde se tornariam uma Hóstia de Amor...

Sim, Deus, Sol de AMOR, amadurecera estas duas irmãs, espigas cheias de uma vida dada somente a Ele e aos irmãos... Era a hora da colheita...

No dia 13 de novembro de 1919, as duas morreram com três horas de diferença... E naquele entardecer, quando o sol se escondeu entre as nuvens, o céu tingiu-se com a cor dos mártires, a cor do amor...
Devido às circunstâncias e por prudência, como dissemos no início, não se podia velar os mortos, que eram levados ao cemitério por uma rua distante da população. Mas com elas não aconteceu o mesmo.

As pessoas não quiseram... E assim, as ruas encheram-se de gente que vinha despedir-se daquelas que haviam cumprido as palavras do Mestre: "Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos". (Jo 15,13)

E quando estas duas vidas se apagaram, a luz da esperança foi reacendida... As duas sementes morreram e a vida começou a florescer... Maria Xavier e Guilhermina ofereceram as suas vidas para que a peste acabasse. De facto, as duas irmãs foram as últimas vítimas. Os doentes recuperaram aos poucos e a terrível devastação foi algo que se ficou no passado.

E aqui está o resumo da história: Maria Xavier e Guilhermina tinham um barco e uma rede... sonhos, ilusões, projetos... mas um dia, Jesus passou a seu lado e disse-lhes: "Deixai as redes e, agora, ide pescar a humanidade... Vinde comigo!" E, seduzidas pelo olhar e pela voz do Mestre, deixaram tudo e seguiram os Seus passos...

Desde então, toda a cidade de Totoras lhes presta homenagem como sendo as "mártires da caridade".

 

Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora

 

 

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