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Sementeira

Não a procures… Esta história não vem no Evangelho, mas está cheia de Evangelho… Esta história de duas sementesque, uma manhã, não interessa quando, se abandonaram entre as mãos do Semeador…

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No princípio disse : «história »… Mas… elas têm pouca história, daquela que os homens fazem…
Porquê? Porque a história de uma semente é sempre obscura… silenciosa… monótona: ser enterrada, morrer… esperar.

 

Os seus nomes? Maria Javier e Guilhermina: uma era espanhola e a outra, portuguesa.
Sabemos apenas um pouco, ou quase nada das suas vidas, antes de chegarem à Argentina.

Diante do apelo do Senhor, da voz insistente que lhes dizia: «Quem enviarei?...» responderam: «Eis-me aqui, envia-me»…(Is 6,8)

 

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Deixaram generosamente a pátria e chegaram à Argentina em 1912. Iniciaram a sua missão no Hospital de Coronda, trabalhando e servindo os seus irmãos como enfermeiras

 

Os anos passaram… Estava-se em 1919. Uma nuvem escura cobriu a população de Totoras. Uma peste terrível abateu-se sobre aquele povo, deixando nele a desolação.
O panorama era terrivelmente ameaçador. O hospital, que não tinha ainda sido inaugurado, teve de ser arranjado para acolher os doentes. Os mortos não podiam ser velados nem levados ao cemitério através das ruas da aldeia, com medo do contágio.

A quantidade de vítimas era tão numerosa, que o único médico que havia no hospital já não podia, sozinho, fazer frente à situação. Então, vai bater à porta da Escola “São José”, das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, a fim de pedir o auxílio de duas Irmãs.

Quem irá? Pedir ou nomear?... Mil perguntas e dúvidas invadiram o coração da Superiora. Foi rezar… Depois, reuniu as suas Irmãs e expôs-lhes o pedido…Houve um grande silêncio.

 

semailles3« Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica só… Mas se morrer… »
(Jn 12,24)

 

Estas palavras de Jesus caíram no sulco aberto de corações apaixonados por Ele e pela humanidade…
Sim!... Era de novo a voz do Senhor: «Quem enviarei?» Is 6,7)

 

Irmã Maria Javier: 62 anos…Irmã Guilhermina: 39 anos…
Duas vidas e uma única resposta: Eis-nos aqui, senhor, envia-nos!
Ofereceram-se voluntariamente, como se ofereceram também todas as outras Irmãs da comunidade. Despediram-se das suas Irmãs, sabendo que, durante o tempo em que estivessem de serviço no Hospital, não poderiam voltar à comunidade.
É preciso ter muita generosidade para se dar sem guardar nada para si… Mas a vida é sem sentido quando se guarda para si e quando se recusa Àquele que tudo deu sem medida… O teu Deus disse-te não alguma vez?
No dia 20 de Outubro de 1919, entraram no hospital, para tratarem os seus irmãos, aliviá-los na dor, confortá-los e prepará-los para o encontro com Deus.
O trabalho era árduo, dia e noite, com a constante ameaça do contágio. Apesar de tudo, iam solícitas para tratar, consolar, ajudar, carregar os sofrimentos por amor d’Aquele que tanto sofreu por todos nós.

A partir desse dia, não viram nenhuma das suas Irmãs, ainda que a Superiora tivesse experimentado ir visitá-las, por várias vezes, mas era impossível. Tinham levantado um muro.

Os dias passaram; a peste bubónica (transmitida pelos ratos) ceifava cada vez mais vidas. E um dia, A Irmã Maria Javier nota sinais evidentes da doença. Descansa durante alguns dias e, ainda convalescente, põe-se de novo ao trabalho, para servir Jesus nos seus irmãos sofredores e também a sua Irmã Guilhermina que fora atacada por essa peste terrível.

A Irmã Maria Javier, muito enfraquecida, não desanima; há uma força interior que a sustenta, que a impele a ir ter com os doentes, a passar as noites ao lado dos moribundos.

A Irmã Guilhermina já não pode recuperar as forças; exausta pela doença, permanece na cama, consumida pela febre, como aconteceu à Irmã Javier poucos dias depois.

Ofereciam assim as suas vidas no despojamento completo, longe das suas Irmãs. A Superiora, sabendo do estado de ambas as Irmãs, insiste várias vezes para vê-las, com o risco de apanhar a doença. Depois de várias respostas negativas, teve, finalmente, licença para entrar.
Que encontro! Houve poucas palavras… Nos momentos mais importantes da vida, a linguagem mais eloquente é o silêncio… E este encontro foi um adeus…
«As Irmãs que não se preocupem connosco… Nós vamos ao encontro da VIDA… Esta doença vai acabar brevemente… Até breve… Até ao Céu… Agora sentimo-nos mais felizes do que nunca…»

Passaram-se alguns dias… O sol quente do verão que se aproximava já tinha amadurecido as searas e a colheita aproximava-se. A promessa de boas espigas anunciava a farinha branca para o Pão que sacia a fome dos homens… Espigas que, depois, se converterão em Hóstia de Amor…
Sim, Deus, o sol de Amor, tinha feito amadurecer estas duas Irmãs, duas espigas cheias de uma vida doada inteiramente a ELE e aos irmãos… Era a hora da colheita.

 

semailles4No dia 13 de Novembro de 1919, morrem as duas com três horas de intervalo… E ao pôr-do-sol, nesse dia, quando o astro se escondeu entre as nuvens, tingiu o céu com a cor dos mártires, a cor do amor…

Como dissemos no princípio, por causa das circunstâncias e por prudência, não velavam os mortos e levavam-nos imediatamente para o cemitério, através de uma rua distante das habitações. Mas, com as Irmãs, não foi assim. O povo não quis. As ruas encheram-se de pessoas da aldeia, que vieram dizer adeus àquelas que tinham tornado reais as palavras do Mestre: «Não há maior amor do que dar a própria vida pelos amigos.» (Jo 15, 13)

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Estas duas vidas extinguiram-se para que renasça uma luz de esperança. As duas sementes morreram e a vida começou a reflorir… As Irmãs Maria Javier e Guilhermina tinham oferecido as suas vidas para que a peste acabasse. Efectivamente, depois da sua morte, os doentes foram-se restabelecendo lentamente e a desolação passou a pertencer ao passado.

 

E agora, eis o resumo da história:

As Irmãs Maria Javier e Guilhermina tinham um barco e uma rede de sonhos, de ilusões, de projectos… mas um dia, Jesus passou junto delas e disse-lhes: «Deixai as redes, porque agora ireis
pescar a humanidade… Vinde COMIGO!...» Seduzidas pelo olhar profundo e pela voz do Mestre, deixaram tudo e seguiram as suas pegadas…
A partir dessa altura, e até hoje, toda a população de Totoras presta homenagem à Irmã Maria Javier e à Irmã Guilhermina, sob o título de «Mártires da caridade».
Se desejas rezar através da sua intercessão, eis uma oração

 

Olga Trevisanut fmnd

ORAÇÃO

 

Senhor e nosso Pai, doador de todo o bem,
derrama sobre nós e sobre todos os homens as tuas graças abundantes,
pelos méritos de Jesus e pela generosa entrega das Irmãs Franciscanas
Maria Javier e Guilhermina, Mártires da caridade.
Imitando Maria, elas disseram um SIM total,
servindo o irmão doente da peste, até dar a própria vida.
Concede-nos também a generosidade no serviço dos nossos irmãos
e a graça de TE sermos fiéis, na missão que nos confiaste.
Amen.

 

(Com aprovação eclesiástica)